segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Ame o outro! Respeite o outro!

Será que realmente sabemos conviver com as diferenças? Ao olhar o dicionário vejo os significados da palavra diferença. Um deles é a diversidade. No século XXI, ainda encontramos muitos que ainda possuem uma certa dificuldade para conviver com indivíduos de diferentes ideologias, costumes e raças. Olho para o passado e reflito sobre muitas coisas. O ser humano tratado como mercadoria por causa da cor da pele. O homem judeu, o gay, o deficiente mental e físico tratados como algo descartável no nazismo de Hitler. Mulheres que eram vistas (e até hoje é assim) como pessoas cuja capacidade se restringia à cozinhar, lavar e passar. Ainda hoje escuto alguns alienados da vida dizerem: "mulher tem que saber cozinhar" ou ainda "Até entendo que em uma casa onde moram só homens esteja bagunçada, mas em uma casa onde vivem só mulheres?". Tudo isso fruto de uma sociedade que se baseia em dogmas da Igreja para argumentar a inferioridade da mulher perante ao homem.

Infelizmente certas pessoas ainda não conseguem pensar por si mesmas, continuam na caverna de Platão e tem medo de sair de lá, pois ficam com medo de encarar a verdadeira realidade. Quando nascemos já nos deparamos com uma realidade forjada por pessoas que pensam o tempo todo em se dar bem a qualquer custo, não se importando com os que estão a sua volta.

Ainda não conseguimos arrancar as raízes de preconceitos que existem dentro de nós. Certas idéias surgiram apenas porque existiam pessoas que tinham grandes problemas para conviver com as diferenças. Temos que tirar a venda de nossos olhos que fazem com que sempre enxerguemos o outro com um olhar de inferioridade. Se realmente plantássemos a semente do respeito e amor ao próximo, talvez não teríamos coisas idiotas como o preconceito, a divisão, o individualismo, o capitalismo (que separa todo o tempo a sociedade em classes), as guerras, etc.

Queria que você que está lendo isso agora (se é que alguém está lendo), refletisse muito no que coloquei aqui. Se você parar pra pensar... tem até uma certa lógica. Os maiores problemas da humanidade são causados por quase todos esses fatores cruéis que citei agora a pouco. Sempre vemos coisas negativas no que é diferente. Como se a nossa verdade fosse a absoluta.

Com o tempo, aprendi que não existe uma única verdade, mas as verdades, as culturas, as religiões, as ideologias, os comportamentos. Não tentamos e nem queremos conhecer o que há de bom em outras formas de se viver a vida. O que pode ser bom pra mim, poder ser ruim pra você ou vice-versa. E o pior de tudo... Nos incomodamos com o outro que pôde se encontrar em outros caminhos que não correspondem ao convencional, enquanto vivemos uma vida medíocre cheia de tabus e regras impostas por uma sociedade conservadora e hipócrita.

domingo, 26 de setembro de 2010

Apaixonados pela Idade Média


Eles adoram arquiteturas e lugares antigos como cemitérios, catedrais e castelos. Usam roupas pretas com traços medievais e maquiagem pesada. Os góticos chamam atenção por onde passam aqui em Belém. Eles afirmam ter adoração pela morte como se ela fosse uma evolução, o início de algo. A subcultura gótica que surgiu nos 80, a partir da cultura dark, também se faz presente nos domingos da Praça. Mas por que ir à República, já que eles preferem lugares com perfis diferentes?

A estudante Sara Silva, mais conhecida como Bruxinha, pois é pelo apelido que eles gostam de ser chamados, diz que em Belém há muitos lugares em que eles são vistos de maneira preconceituosa. Por não terem religião, os góticos são geralmente ateus ou cultuam ao anticristo e ao satanismo. Apesar de gostarem de arquiteturas antigas de igrejas, a entrada deles no local é proibida. “É na Praça que nos sentimos mais à vontade, pois é um lugar livre de qualquer preconceito e onde nos sentimos mais aceitos. Em outros lugares as pessoas nos olham como se fossemos esquisitos”, afirma Bruxinha.

“Ao chegarmos na Praça da República, o nosso principal ponto de encontro é ao lado do Teatro da Paz, devido à sua arquitetura que nos chama muita atenção”, declara o estudante Cássio Silva, conhecido como Chucky. O jovem diz que lá eles sempre combinam para irem a bailes góticos com outros da tribo. São festas que só começam a partir da meia-noite e que possuem um ambiente bastante vampiresco. Eles têm como principais representantes musicais as bandas: Bauhaus, precursor do estilo musical gótico; The Sisters Of Mercy; e finalmente The Cure, cujo vocalista iniciou com o estilo de maquiagem e cabelo gótico.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Em busca do auto-conhecimento


Há vários anos, a Praça da República também é conhecida por ser um local que abriga muitos hippies. Essas pessoas pertencem a vários lugares do Brasil e do mundo. Quando passam por Belém, têm a Praça como um dos principais pontos de encontro da tribo. Os domingos na República são muito proveitosos, pois esse é o dia em que eles também expõem e vendem seus trabalhos artesanais, uma das principais fontes de renda desses hippies.

O hippie e terapeuta alternativo, Aluisio Mota diz que ser hippie é ter liberdade com discernimento. “Muita gente pega o gancho do movimento que nasceu nos anos 70, onde naquela época, o hippie era um anarquista. Nos dias atuais ser hippie é uma opção de vida. É optar por quebrar padrões e sempre ajudar ao próximo. É ter algo na vida, ter o próprio trabalho, como os artesanais que nós desenvolvemos”, afirma Mota. Para o terapeuta, por mais que a maioria tenha uma ideologia socialista, querendo ou não, eles acabam se inserindo no capitalismo, pois eles precisam vender e lucrar com os artesanatos. É disso que a maioria vive.

Apesar da maioria dos hippies usarem drogas, segundo Aluisio, não há associação do movimento a isso. Enfatiza ainda que existe um certo preconceito por parte dos hippies que usam com os que não usam drogas. O terapeuta afirma com revolta que já foi vítima de preconceito entre os hippies por não usar nenhum tipo de entorpecente. “Esses hippies só querem saber de bebidas e de drogas. Muitos não vivem a essência, a filosofia. Até pra você ser um hippie de verdade, você precisa ter uma formação acadêmica. Além de eu ser terapeuta alternativo, também sou jornalista”, diz. Mota finaliza deixando uma mensagem para todos. “Romper limites, quebrar padrões e mergulhar no ‘desconhecido’ em busca de si. Somos um diante de um todo. Componha, cante e dance a música que toca seu ser”.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Paz, Amor, União e Respeito também são Trance



A partir das 4 da tarde, os domingos de Belém na Praça da República se tornam palcos de diferentes tribos urbanas. É a reunião de grupos de identidades culturais distintas em um mesmo lugar. Pessoas que têm em comum ideologias e comportamentos. Jovens que possuem adoração por conceitos e estilos musicais que diferem dos padrões da sociedade. Para essas tribos, a República é um lugar em que eles podem ser aceitos e respeitados pelo o que eles são e acreditam.
Uma nova tribo urbana começa a habitar os domingos da Praça da República. Eles são freqüentadores de rave, uma festa conhecida por ter um alto índice de consumo de entorpecentes. Um outro lado que muitos desconhecem é que em festa de música eletrônica também existe uma filosofia de paz, amor, união e respeito. Na Praça da República esse clima entre eles é o mesmo. Valores como a defesa pela natureza e a espiritualidade também são defendidos pela tribo Trance.

André Souza aka André Sat Dj


Para André Souza, dj de psytrance e freqüentador da República, a Praça é um ponto de encontro onde as pessoas alternativas podem expor seu modo de pensar e agir. Além da tribo trance se reunir no local para rever os amigos de rave, eles sempre debatem sobre os principais projetos de psy que estão surgindo e discutem um pouco sobre a cena eletrônica em Belém. André afirma com um pouco de tristeza que a maioria das pessoas pensa que o psy é um estilo de música voltado só para usuários de drogas e não para pessoas comuns. “Muita gente acha que dentro do estilo tudo é a mesma coisa. Dizem que é a mesma batida e que não possui diferenças, porém para quem entende e conhece o som, vai perceber que existem outras vertentes dentro desse estilo, assim como o psy surgiu do trance. A diferença está nos sintetizadores e nos BPM, que são as batidas por minuto”, diz Souza.

Segundo o dj, o mais legal em uma rave é a união entre as pessoas que a freqüentam. É uma festa que há a reunião de pessoas de várias etnias e de várias classes sociais. É lá que as pessoas se encontram para se divertir e celebrar aquele momento com os amigos. André ressalta que música eletrônica significa paz, diversão e união. “Para ir para uma rave, não é preciso usar drogas. A aparelhagem é uma festa que além de ter drogas, tem muita briga e até roubos. Quando falamos em rave pensa-se logo em drogas, mas isso é por causa de pessoas que mancharam a cena trance. A cultura eletrônica infelizmente é conhecida popularmente por atrair pessoas mal intencionadas”, declara o dj.



O trance surgiu em Goa, na Índia, em meados dos anos 80, tendo como principal representante Goa Gil, que integrou o movimento hippie em São Francisco na Califórnia no final dos anos 60. Aos 18 anos, Gil migrou para as praias de Goa, onde aprendeu ioga com gurus nos Himalaias e buscou o "karma" pela meditação, além de dar início ao estilo Goa Trance. Trance em português significa transe. O estilo possui batidas repetitivas e melodias progressivas, sons indianos e instrumentos tribais, fazendo surgir um estado de transe e libertação espiritual na pessoa que o escuta. A partir desse estilo surge então, o psytrance ou o trance psicodélico que nasceu no fim dos anos 80 em Israel. O psy é até hoje a vertente do trance mais tocada nos festivais de música eletrônica.