terça-feira, 24 de agosto de 2010

Paz, Amor, União e Respeito também são Trance



A partir das 4 da tarde, os domingos de Belém na Praça da República se tornam palcos de diferentes tribos urbanas. É a reunião de grupos de identidades culturais distintas em um mesmo lugar. Pessoas que têm em comum ideologias e comportamentos. Jovens que possuem adoração por conceitos e estilos musicais que diferem dos padrões da sociedade. Para essas tribos, a República é um lugar em que eles podem ser aceitos e respeitados pelo o que eles são e acreditam.
Uma nova tribo urbana começa a habitar os domingos da Praça da República. Eles são freqüentadores de rave, uma festa conhecida por ter um alto índice de consumo de entorpecentes. Um outro lado que muitos desconhecem é que em festa de música eletrônica também existe uma filosofia de paz, amor, união e respeito. Na Praça da República esse clima entre eles é o mesmo. Valores como a defesa pela natureza e a espiritualidade também são defendidos pela tribo Trance.

André Souza aka André Sat Dj


Para André Souza, dj de psytrance e freqüentador da República, a Praça é um ponto de encontro onde as pessoas alternativas podem expor seu modo de pensar e agir. Além da tribo trance se reunir no local para rever os amigos de rave, eles sempre debatem sobre os principais projetos de psy que estão surgindo e discutem um pouco sobre a cena eletrônica em Belém. André afirma com um pouco de tristeza que a maioria das pessoas pensa que o psy é um estilo de música voltado só para usuários de drogas e não para pessoas comuns. “Muita gente acha que dentro do estilo tudo é a mesma coisa. Dizem que é a mesma batida e que não possui diferenças, porém para quem entende e conhece o som, vai perceber que existem outras vertentes dentro desse estilo, assim como o psy surgiu do trance. A diferença está nos sintetizadores e nos BPM, que são as batidas por minuto”, diz Souza.

Segundo o dj, o mais legal em uma rave é a união entre as pessoas que a freqüentam. É uma festa que há a reunião de pessoas de várias etnias e de várias classes sociais. É lá que as pessoas se encontram para se divertir e celebrar aquele momento com os amigos. André ressalta que música eletrônica significa paz, diversão e união. “Para ir para uma rave, não é preciso usar drogas. A aparelhagem é uma festa que além de ter drogas, tem muita briga e até roubos. Quando falamos em rave pensa-se logo em drogas, mas isso é por causa de pessoas que mancharam a cena trance. A cultura eletrônica infelizmente é conhecida popularmente por atrair pessoas mal intencionadas”, declara o dj.



O trance surgiu em Goa, na Índia, em meados dos anos 80, tendo como principal representante Goa Gil, que integrou o movimento hippie em São Francisco na Califórnia no final dos anos 60. Aos 18 anos, Gil migrou para as praias de Goa, onde aprendeu ioga com gurus nos Himalaias e buscou o "karma" pela meditação, além de dar início ao estilo Goa Trance. Trance em português significa transe. O estilo possui batidas repetitivas e melodias progressivas, sons indianos e instrumentos tribais, fazendo surgir um estado de transe e libertação espiritual na pessoa que o escuta. A partir desse estilo surge então, o psytrance ou o trance psicodélico que nasceu no fim dos anos 80 em Israel. O psy é até hoje a vertente do trance mais tocada nos festivais de música eletrônica.